Guia NR-1 · PGR

PGR e Riscos Psicossociais: o Guia Completo para a NR-1

Atualizado em junho de 2026 · Leitura de 7 min

Desde que a NR-1 passou a exigir o gerenciamento de riscos psicossociais, o PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos) deixou de ser um documento estático e virou uma peça viva de conformidade: com dados que precisam ser monitorados continuamente, não preenchidos uma vez por ano. Neste guia, explicamos exatamente o que entra no PGR a partir de agora, quais indicadores usar e como documentar evidências que resistem a uma fiscalização.

O que mudou na NR-1 em relação aos riscos psicossociais

A atualização da Norma Regulamentadora 1 incorporou os riscos psicossociais (sobrecarga de trabalho, jornadas excessivas, pressão por metas, desconexão insuficiente) à mesma lógica de gerenciamento já aplicada a riscos físicos, químicos e ergonômicos. Na prática, isso significa que esses riscos precisam ser identificados, mensurados, documentados e geridos dentro do PGR, com o mesmo rigor que se exige para qualquer outro risco ocupacional.

A diferença central em relação ao período anterior é que intenção declarada não basta. Uma política de bem-estar no papel, sem dado que comprove sua aplicação, não cumpre a norma.

O que entra no PGR a partir de agora

Mapeamento dos riscos

O primeiro passo é identificar onde a sobrecarga digital e a fadiga de contexto realmente acontecem, não por achismo, mas por comportamento real de uso de ferramentas corporativas: horários de pico, sistemas que geram mais fricção, áreas com jornadas sistematicamente acima do esperado.

Indicadores de monitoramento

Definidos os pontos de risco, o PGR precisa estabelecer indicadores recorrentes: não uma fotografia única, mas uma série histórica que mostre tendência.

Plano de ação e medidas de controle

Por fim, cada risco identificado precisa de uma medida de controle associada e um prazo de revisão. É essa cadeia (risco mapeado → indicador → ação → revisão) que um auditor busca quando avalia a maturidade do PGR.

Quais indicadores de jornada digital o PGR deve conter

  • Sobrecarga de jornada: horas trabalhadas acima do esperado por colaborador e por time
  • Horas atípicas: atividade fora do horário comercial e em fins de semana
  • Inatividade e fricção: tempo perdido em sistemas que geram retrabalho
  • Aderência à jornada contratual: desvio entre jornada formal e jornada real
  • Fadiga de contexto: volume de trocas entre ferramentas e interrupções ao longo do dia

Como documentar evidências: não intenções

O erro mais comum é confundir política com evidência. Um auditor não pergunta "vocês têm uma política de desconexão?" Pergunta "mostre os dados dos últimos três meses que comprovam que essa política está sendo cumprida". Por isso, a documentação que sustenta o PGR precisa ser:

  • Contínua: atualizada periodicamente, não anual
  • Auditável: exportável em poucos minutos, com trilha clara de origem dos dados
  • Anonimizada e tratada conforme a LGPD: sem exposição de dados pessoais sensíveis

Erros comuns na adequação do PGR à NR-1

  • Tratar a NR-1 como um checklist único, em vez de um processo recorrente
  • Usar apenas pesquisas de clima (autodeclaração) sem cruzar com dado comportamental real
  • Não ter um responsável claro pela atualização periódica do PGR
  • Coletar dados de forma invasiva (gravação de tela, captura de mensagens), o que gera risco jurídico próprio sob a LGPD

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